O jeito certo de começar a investir
Por Vitor Davanzo, planejador financeiro CFP® ·
Hoje é domingo, 6 de setembro, faz frio e chove bastante agora à tarde em Piracicaba. O dia perfeito para não fazer NADA!
Rolando a tela nas redes sociais, o que mais aparece são páginas que falam sobre investimentos e como ganhar dinheiro rápido. Pessoas que não trabalham no mercado financeiro, muitas vezes não têm formação na área e muito menos estudaram para alguma certificação. Um monte de dopamina barata para prender a sua atenção e mexer com o seu psicológico. E são essas pessoas que vão te fazer ganhar dinheiro e investir melhor. Só que antes você tem que comprar um curso ou participar de um “workshop” grátis. Que no final vão querer te vender cursos. #Confia
A minha ideia de criação de conteúdo é totalmente oposta a isso. Além de trabalhar no mercado financeiro há bastante tempo, estudar e possuir certificações, o meu objetivo é levar o conhecimento que vou adquirindo no meu dia a dia para pessoas que não são do mercado, e evitar que essas pessoas caiam nos contos do vigário, para não colocar o seu dinheiro em riscos desnecessários ou em investimentos ruins, que podem te fazer perder dinheiro no final. Então, vamos dar alguns passos para trás e começar do início.
Se você for no dicionário, vai encontrar várias definições diferentes pra palavra investimento.Tem a definição econômica, sobre aplicar capital pra obter ganhos futuros. Tem até uma definição da psicologia, sobre concentrar energia psíquica em algo. Mas na prática, pra quem tá começando, investimento é bem mais simples do que qualquer dicionário consegue explicar.
Pra começar a investir, você não precisa entender de economia, de finanças, muito menos saber qual a melhor ação para comprar. Esse conhecimento você vai buscar aos poucos, com o tempo. E se tornar investidor também não é ficar de olho na cotação da bolsa o dia inteiro, nem sair comprando ação, FII, ETF, isso ou aquilo, sem saber muito bem por quê. A primeira coisa que você precisa fazer é bem mais simples: começar.
A meta inicial não é bater o CDI
Todo mês, guarde uma parte do seu salário. E a meta inicial que você deve buscar não é bater o CDI, nem ter retorno maior que o Ibovespa. A meta inicial é acumular de 6 a 12 vezes o seu salário mensal.
-”Tá bom Vitor, e onde eu coloco esse dinheiro? Debaixo do colchão?”
Não. Essa fase inicial é chamada de acumulação, porque é exatamente isso que você vai fazer: acumular dinheiro. Nela, você deve buscar opções seguras, com resgate rápido (maior liquidez), como o Tesouro Selic, CDB de bancão com liquidez diária ou fundos DI.
O que importa nessa fase é a frequência, não a escolha
É isso que você deve buscar de início. Na fase de acumulação, a frequência dos seus aportes é muito mais importante do que saber se você tem as 5 melhores ações para investir em 2026, ou ficar comparando se seu retorno é maior do que do seu amigo.
O simples fato de você estar acumulando dinheiro já te torna um investidor. E aportar todo mês, com disciplina, rende mais no fim das contas do que aquele que fica comprando e vendendo ação toda hora, achando que vai acertar o timing do mercado, e no processo deixa dinheiro na mesa.
Por onde começar, na prática
Se você não sabe por onde começar, pega um papel e uma caneta. Faça a conta do seu objetivo: seu salário vezes 12, e escreve isso como meta.
Depois, abre o aplicativo do seu banco ou da sua corretora de confiança e procura por essas três opções:
Tesouro Selic. CDB DI com resgate diário. Fundos DI com resgate diário.
O que observar antes de escolher
Primeiro, veja se o seu banco ou corretora cobra taxa pra aplicar no Tesouro Selic. Muita instituição ainda cobra, e isso corrói seu rendimento sem necessidade.
Segundo, olhe o percentual do CDI que o CDB remunera. O CDI é o índice de referência usado para medir e remunerar a maioria desses ativos, e a gente entra em detalhe sobre ele e outros indices em outro texto. Por enquanto, procure aquele que pague o mais próximo possível de 100% do CDI.
Tome cuidado com CDBs que remuneram acima de 100% do CDI. Geralmente eles não têm liquidez diária, e quando têm, você precisa observar muito bem quem é o emissor. Se um banco está pagando uma taxa acima do mercado, na maioria das vezes é porque ele precisa mais do seu dinheiro pra cobrir as próprias obrigações, e isso é um sinal de risco, não de vantagem.
Terceiro, olhe a taxa de administração dos fundos DI. Tecnicamente, fundo DI deveria cobrar taxa de administração baixa. Procure sempre os que tenham taxa entre 0,10% e no máximo 0,50% ao ano.
No final do dia, ninguém se torna investidor de sucesso decorando fórmulas ou acertando o dia certo de comprar uma ação. Se torna investidor quem começa, quem guarda uma parte do salário todo mês, sem falta, mesmo que seja pouco no início. O resto, escolha de ativo, diversificação, estratégia mais sofisticada, vem depois, com o tempo e com a base já construída.
O pulo do gato que você deve entender é a fórmula dos juros compostos: Montante = Capital × (1 + taxa)^tempo. A maioria das pessoas acha que o segredo são taxas melhores, ou um volume de capital elevado. E a maioria está errada. O segredo é o último componente da fórmula: tempo. Quanto mais tempo e paciência você tiver com seus investimentos, maior vai ser a sua rentabilidade ao longo do tempo.
E nunca se esqueça: O dinheiro trabalha para você, e não o contrário. Dinheiro é para ser usado. Invista com algum objetivo. Busque manter uma reserva de emergência sempre. O dinheiro é para te trazer liberdade e conforto em algumas situações. O mercado financeiro serve para preservar o seu patrimônio, mas somente o seu trabalho é capaz de construir riquezas!!!
Se você chegou até aqui, meu muito obrigado. Espero de coração que essa leitura tenha deixado algo com você, mesmo que seja só um pouco a mais de conhecimento sobre investimentos, Finanças e mercado. É exatamente por isso que eu escrevo: Descomplicar as finanças, e irmos juntos, um pouco de cada vez
Eu sou Vitor Davanzo, Especialista em Investimentos e Planejador Financeiro CFP®. Te espero na próxima leitura!
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Este texto tem finalidade educativa e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras dependem do seu objetivo, prazo e tolerância a risco.