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Mercado Hoje · 2 de outubro de 2026 · Fechamento de mercado

Ibovespa avança 2,63%, enquanto Treasuries devolvem o alívio do payroll

Em poucas palavras

O payroll fraco reduziu a expectativa de alta imediata dos juros americanos e ajudou ações, mas o alívio nos títulos dos EUA durou pouco. O Ibovespa fechou perto da máxima, com alta disseminada, enquanto o dólar variou pouco e os juros futuros brasileiros recuaram. O fechamento explica por que a Bolsa brasileira avançou mesmo com as taxas de dez e trinta anos terminando acima da véspera.

Publicado em 2 de outubro de 2026 Última atualização: 02/10/2026, 18:35 · Brasília Fechamento de mercado
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Fechamento — como o dia terminou

O Ibovespa encerrou esta sexta-feira com alta de 2,63%, aos 192.114,55 pontos, praticamente na máxima de 192.118,70. Foi o maior fechamento desde 22 de abril e uma alta ampla: apenas quatro ações da carteira terminaram no negativo. O dólar comercial caiu 0,08%, para R$ 5,216, uma oscilação pequena diante do avanço das ações.

Os juros futuros brasileiros também fecharam em queda na consolidação das 17h44. O contrato para janeiro de 2028 terminou em 13,465%, recuo de 7,5 pontos-base, e o de janeiro de 2035 ficou em 14,055%, baixa de 2,5 pontos-base. Cem pontos-base equivalem a um ponto percentual.

Só que o movimento externo mudou depois do alívio da manhã. Na curva oficial do Tesouro americano, calculada com cotações indicativas próximas das 16h30 de Brasília, a taxa de dez anos passou de 5,24% para 5,28% ao ano, e a de trinta anos, de 5,61% para 5,63%. O payroll derrubou essas taxas logo após a divulgação, mas elas voltaram a subir até o fim da sessão.

O que realmente explicou o movimento

Os Estados Unidos criaram 29 mil vagas fora do setor agrícola em setembro, ante expectativa de 90 mil na pesquisa da Reuters. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, o salário médio avançou 0,1% no mês e as revisões retiraram 60 mil vagas dos resultados de julho e agosto. O conjunto reduziu a probabilidade atribuída pelo mercado a uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro.

Essa mudança ajudou Wall Street e abriu espaço para queda dos juros brasileiros. No entanto, o emprego não veio fraco a ponto de eliminar a possibilidade de novos aumentos do Fed nos meses seguintes. Ao mesmo tempo, inflação, energia e endividamento público continuaram pressionando os títulos longos. Por isso, as ações americanas subiram enquanto os Treasuries de dez e trinta anos terminaram com taxas maiores.

No Brasil, o fator doméstico acrescentou volatilidade. Esta foi a última sessão antes do primeiro turno das eleições, e notícias da campanha influenciaram câmbio e Bolsa. Ainda assim, a alta final não ficou restrita a um ou dois nomes: Vale ganhou 2,56%, Petrobras PN avançou 2,81%, Banco do Brasil subiu 3,04%, Bradesco PN 3,34% e Itaú PN 1,54%. A nova descoberta anunciada pela Petrobras também foi um fator específico para a companhia.

Como as peças se conectaram

O payroll mais fraco diminuiu a urgência de outro aumento imediato do Fed. Essa mudança reduz parte da competição oferecida pelos títulos americanos e pode aliviar a remuneração exigida em outros países. No Brasil, essa transmissão apareceu nos contratos de juros, inclusive nos vencimentos de 2028 e 2035.

Mas a ponta longa dos Estados Unidos carrega perguntas que um único relatório de emprego não responde: inflação por muitos anos, oferta de dívida e remuneração adicional exigida para emprestar ao governo por décadas. Quando as taxas longas voltam a subir, o financiamento global permanece caro, mesmo que as bolsas avancem no mesmo dia.

O petróleo contou outra parte da história. O Brent fechou quase estável, em US$ 102,25, queda de 0,06%, após o acordo europeu para liberar estoques de diesel e a discussão sobre reservas de petróleo. O WTI caiu 1,90%, para US$ 91,11. Esse alívio foi maior no petróleo americano e não significa que a oferta de combustíveis esteja normalizada: refino, estoques e restrições de exportação continuam relevantes.

O que ficou diferente da abertura

Pela manhã, a hipótese era que petróleo mais baixo e emprego mais fraco poderiam sustentar o alívio nos juros. O payroll confirmou a perda de ritmo, e a produção industrial brasileira acrescentou um sinal de atividade fraca ao cair 0,6% em agosto. Os juros locais e as ações responderam no fechamento.

O que mudou foi a trajetória dos Treasuries. Às 11h28, dez e trinta anos estavam em 5,201% e 5,572%; na referência oficial do fim da tarde, terminaram em 5,28% e 5,63%. A Bolsa brasileira também passou de uma queda de 0,07% no fim da manhã para um avanço de 2,63%. O resultado final, portanto, combinou alívio local amplo com financiamento americano de longo prazo ainda pressionado.

O que fica para amanhã

Neste sábado, não há sessão regular da B3. O evento confirmado que separa o fechamento de hoje da próxima abertura é o primeiro turno das eleições, no domingo, 4 de outubro, das 8h às 17h de Brasília, segundo o TSE. O resultado deverá ser conhecido antes da reabertura dos mercados na segunda-feira; esta edição não antecipa sua direção.

O dia termina com uma lição útil: uma Bolsa em forte alta pode conviver com juros longos americanos maiores. O payroll mudou a leitura sobre a próxima reunião do Fed, mas não resolveu o custo de financiar a economia por dez ou trinta anos.

Fontes consultadas

Conteúdo educativo e informativo. Movimentos de mercado mudam ao longo do dia e não constituem recomendação de investimento.

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