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Mercado Hoje · 5 de outubro de 2026 · Fechamento de mercado

Ibovespa fecha em 206,9 mil pontos e dólar cai 4,12% após surpresa eleitoral

Em poucas palavras

O Ibovespa terminou o primeiro pregão após o primeiro turno em alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, enquanto o dólar à vista recuou 4,12%, a R$ 5,0022, e os juros futuros longos cederam mais de 130 pontos-base. A reação confirmou uma redução ampla do prêmio exigido para ativos brasileiros, mas ainda se apoia em expectativas sobre o segundo turno e a política fiscal — não em medidas já aprovadas.

Publicado em 5 de outubro de 2026 Última atualização: 05/10/2026, 18:34 · Brasília Fechamento de mercado
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Fechamento — como o dia terminou

O mercado brasileiro encerrou esta segunda-feira com um movimento raro em três frentes ao mesmo tempo. O Ibovespa subiu 7,70%, aos 206.911,89 pontos, maior fechamento de sua história, depois de tocar a máxima intradiária de 209.605,70 pontos. O volume financeiro chegou a R$ 103,3 bilhões. O dólar à vista caiu 4,12%, para R$ 5,0022, maior recuo diário em mais de oito anos, após chegar a R$ 4,9534 na mínima.

Nos juros futuros, que mostram a remuneração exigida hoje para diferentes prazos, a queda foi mais forte nos vencimentos sensíveis à política fiscal. No fim da tarde, o DI para janeiro de 2028 estava em 12,665% ao ano, 84 pontos-base abaixo do ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2035, em 12,80%, com recuo de 133 pontos-base. Cem pontos-base equivalem a 1 ponto percentual.

A B3 divulgou o fechamento final de 206.911,89 pontos. Uma notícia da Reuters publicada logo após o pregão registrou 207.190,44 pontos e alta de 7,85%, identificados como dados preliminares. Esta edição usa o número final informado pela B3.

O que realmente explicou o movimento

O fator material foi a revisão das probabilidades políticas depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula e de aliados da direita ampliarem espaço no Congresso. O mercado passou a cobrar menos prêmio para carregar ativos brasileiros porque atribuiu maior chance a uma política econômica de controle de despesas e redução da dívida.

Isso não significa que um ajuste fiscal aconteceu. O segundo turno será em 25 de outubro, as propostas ainda precisam ganhar detalhes e apoio parlamentar não é sinônimo automático de disciplina orçamentária. O que mudou hoje foi a expectativa usada para formar preços.

A amplitude reforça essa leitura. B3 subiu 22,63%, Magazine Luiza avançou 24,18% e BTG Pactual, 22,52%. Petrobras e grandes bancos também tiveram altas de dois dígitos. Já Vale caiu 0,97%, Embraer recuou 3,31% e Suzano perdeu 5,39%. Empresas ligadas ao mercado doméstico e ao custo do dinheiro foram favorecidas; exportadoras sentiram, entre outros fatores, o real mais forte.

Como as peças se conectaram

A cadeia foi direta: surpresa eleitoral → menor risco fiscal percebido → queda dos juros longos → valorização do real e de empresas domésticas. Quando o retorno exigido dos títulos cai, o valor presente dos lucros futuros aumenta. Isso costuma beneficiar ações mais dependentes de crédito, consumo e crescimento local. Ao mesmo tempo, a entrada de capital e a redução do prêmio de risco ajudam a explicar a queda do dólar.

O exterior, porém, contou uma história menos confortável. O Treasury de dez anos encerrou em 5,310%, alta de 3,4 pontos-base, e o de trinta anos, em 5,664%, avanço de 3,5 pontos-base. Ambos atingiram os maiores fechamentos desde 2002. O ISM de serviços dos Estados Unidos mostrou atividade ainda em expansão, com 54,9 pontos, e o componente de preços chegou a 74. Juros americanos altos tornam ativos em dólar mais competitivos e normalmente dificultam o alívio em emergentes. O fato de dólar e DIs terem caído mesmo assim mostra quanto o vetor doméstico dominou o pregão.

O petróleo também recuou: o Brent caiu 1,89%, para US$ 100,32, e o WTI perdeu 1,84%, para US$ 89,43. Ainda assim, Petrobras avançou. Isso indica que a reavaliação do risco brasileiro pesou mais sobre a ação do que a queda diária da commodity.

O que ficou diferente da abertura

Pela manhã, a dúvida era se a reação vista nos ativos brasileiros no exterior se espalharia pelo dólar, pela curva de juros e pelo Ibovespa. Ela se espalhou. A hipótese de redução ampla do prêmio de risco ganhou força e permaneceu até o fim da sessão.

Mas o fechamento também tirou parte do exagero intradiário: o Ibovespa terminou quase 2.700 pontos abaixo da máxima e o dólar voltou para a região de R$ 5 depois de cair abaixo de R$ 4,96. A euforia foi preservada, mas não na intensidade máxima da manhã.

Durante a tarde, a Reuters informou que Lula avalia indicar Geraldo Alckmin para a Fazenda em um eventual novo mandato. A proposta, segundo fontes ouvidas pela agência, ainda está em discussão e não foi confirmada pelo Planalto. A notícia não mudou o sinal do pregão, mas revelou a segunda ordem da eleição: a credibilidade fiscal já começou a reorganizar a campanha dos dois lados.

O que fica para amanhã

Às 9h30, horário de Brasília, os Estados Unidos divulgam a balança comercial de agosto. À tarde, o Tesouro americano leiloa US$ 58 bilhões em títulos de três anos. Os dois eventos ajudam a testar a demanda por dívida americana depois de os juros longos alcançarem máximas de mais de duas décadas.

No Brasil, o foco continua nas sinalizações econômicas das campanhas e em quanto da redução de risco permanece nos juros, no câmbio e nas ações. O ponto é separar o choque de expectativa do que poderá ganhar sustentação com propostas executáveis.

O fechamento entregou uma mensagem clara: o mercado antecipou um cenário fiscal mais favorável. Agora, o preço já subiu antes de a política mudar — e essa distância entre expectativa e execução será a parte mais importante da história.

Fontes consultadas em 5 de outubro de 2026, até 18h34, horário de Brasília. Valores da B3, do câmbio e do petróleo são de fechamento; taxas dos DIs são registros do fim da tarde.

Fontes consultadas

Conteúdo educativo e informativo. Movimentos de mercado mudam ao longo do dia e não constituem recomendação de investimento.

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