Ibovespa passa de 209 mil, dólar cai e juros cedem após surpresa eleitoral
A reação que era apenas uma indicação no exterior foi confirmada no Brasil: o Ibovespa alcançou máxima acima de 209 mil pontos, o dólar caiu para perto de R$ 4,98 e os juros futuros recuaram com força. O movimento mostra uma redução imediata do risco fiscal exigido pelo mercado, mas ainda precifica expectativas sobre o segundo turno e não medidas já aprovadas. Ao mesmo tempo, os Treasuries voltaram a subir e limitaram o alívio externo.
Atualização da tarde — o que mudou desde a abertura
Desde a abertura, os mercados brasileiros confirmaram com força o sinal que vinha do exterior. Por volta das 13h30, horário de Brasília, o Ibovespa subia 8%, aos 208.731 pontos, depois de alcançar a máxima histórica intradiária de 209.605,70 pontos. O dólar era negociado perto de R$ 4,98, abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde maio. A reação apareceu também nos juros: às 11h24, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2035 caía 126 pontos-base, para 12,875% ao ano, enquanto a de janeiro de 2028 recuava 83 pontos-base, para 12,68%. Cem pontos-base equivalem a 1 ponto percentual.
A hipótese da manhã, de que o resultado eleitoral mudaria a remuneração exigida para financiar o Brasil, ganhou força. O movimento não ficou restrito a uma alta pontual da Bolsa: apareceu no preço do dólar e em diferentes prazos da curva de juros, embora ainda baseado em expectativas sobre o segundo turno.
A surpresa eleitoral virou preço, mas ainda não virou política fiscal
O mercado passou a atribuir maior probabilidade a controle de despesas, privatizações e reformas depois da liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e do avanço de seu partido no Congresso. Quando essa probabilidade aumenta, investidores aceitam taxas menores nos títulos brasileiros, o que reduz o custo implícito de financiamento e eleva o preço de papéis já emitidos.
Só que existe uma distância importante entre expectativa e execução. O segundo turno será em 25 de outubro, o programa econômico ainda precisa ganhar detalhes e um Congresso mais alinhado politicamente não garante disciplina fiscal. O pregão de hoje precifica uma possibilidade considerada mais provável, não um ajuste das contas públicas já aprovado.
A alta da Bolsa foi ampla, mas não uniforme
O avanço se concentrou principalmente em empresas sensíveis ao mercado doméstico e aos juros. Por volta de 13h30, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú subiam mais de 10%, enquanto as ações da B3 avançavam cerca de 26%. Petrobras também ganhava mais de 10%.
Vale e Embraer, porém, recuavam. Esse contraponto importa porque o dólar mais baixo reduz o valor em reais das receitas obtidas no exterior, enquanto cada empresa responde também às próprias commodities, contratos e notícias. O recorde do índice, portanto, não significa que todas as ações participaram da mesma forma.
Os dados de serviços acrescentaram um freio à euforia
O PMI de serviços do Brasil caiu de 50,5 em agosto para 49,2 em setembro. As empresas pesquisadas relataram contração da atividade, com queda de demanda, novos pedidos e emprego. O PMI composto, que reúne indústria e serviços, recuou para 47,4, a maior queda da produção privada em um ano. Leituras abaixo de 50 indicam retração.
Ao mesmo tempo, o levantamento mostrou inflação de custos no menor ritmo em seis meses e preços cobrados no menor ritmo em oito meses. O dado reforça a percepção de atividade mais fraca e menor pressão de preços, mas não explica sozinho o tamanho do movimento desta segunda-feira. A mudança dominante veio da eleição e da revisão das probabilidades fiscais.
O exterior ficou menos favorável durante a sessão
O alívio visto pela manhã nos juros americanos não durou. Por volta das 13h35 de Brasília, a taxa do título do governo dos Estados Unidos de dez anos subia para 5,333% ao ano, ante 5,276% na sexta-feira. A de trinta anos avançava para 5,689%, ante 5,629%.
O movimento ocorreu depois de o setor de serviços americano continuar em expansão: o índice ISM marcou 54,9 em setembro. O componente de preços pagos chegou a 74, maior nível desde julho de 2022. Atividade ainda firme e custos elevados sustentam a exigência de juros longos maiores, mesmo com o mercado vendo baixa probabilidade de nova alta do Federal Reserve neste mês.
Esse contraste ajuda a medir a força do fator doméstico. Mesmo com os Treasuries subindo, o dólar caiu e a curva brasileira recuou. Até aqui, a surpresa eleitoral pesou mais sobre os preços locais do que a piora da referência externa. O Brent também cedia 0,44%, a US$ 101,78 por barril, por volta das 13h20, oferecendo algum alívio marginal para a discussão de custos de energia.
O que observar até o fechamento
Até o fim do pregão, vale acompanhar se o Ibovespa sustenta uma alta distribuída entre setores, se o dólar permanece abaixo de R$ 5 e quanto do recuo dos juros fica concentrado nos prazos longos. Também importa verificar se a subida dos Treasuries reduz parte do entusiasmo local. O fechamento mostrará se o mercado apenas reagiu ao choque eleitoral da manhã ou se preservou, ao longo da sessão, uma redução ampla do risco exigido para ativos brasileiros.
Fontes consultadas em 5 de outubro de 2026, até 15h01, horário de Brasília. Todos os preços desta edição são registros intradiários, não valores de fechamento.
- Reuters — reação de ações, câmbio e dívida brasileira ao primeiro turno; 05/10/2026
- Reuters — Ibovespa, dólar e contratos de DI após o primeiro turno; 05/10/2026
- B3 — máxima intradiária do Ibovespa e dólar abaixo de R$ 5; 05/10/2026
- Reuters — PMI de serviços do Brasil de setembro; 05/10/2026
- ISM — PMI de serviços dos EUA de setembro; 05/10/2026
- Wall Street Journal — Treasuries de dez e trinta anos; 05/10/2026
- Reuters — mercados globais e petróleo; 05/10/2026
Conteúdo educativo e informativo. Movimentos de mercado mudam ao longo do dia e não constituem recomendação de investimento.